domingo, 20 agosto, 2017
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Passadas e performance

Passadas e performance

Já falei em postagens anteriores aqui e na página da Academia Malhart que correr com a técnica mata-borrão (na qual se aterrissa com o calcanhar) pode não ser uma boa ideia. Na verdade, a popularidade dessa técnica parecer estar associada ao interesse dos fabricantes de calçados esportivos e seus tênis de corrida cada vez mais caros. Nesse sentido, um estudo alemão da década de 1960 analisou vídeos de diversos corredores e comprovou que a maioria dos corredores de distâncias acima de 1.500m não aterrissam com os calcanhares. Já estudos que vieram após a criação dos tênis modernos indicaram aumento da prevalência da pisada com o calcanhar. O problema é que, por mais que a tecnologia avance, ainda não há um sistema capaz de evitar os danos causados pelo impacto sobre as articulações, sobretudo, as da coluna.

Em um estudo desse ano, pesquisadores franceses compararam o impacto durante a corrida em três situações:

  1. Usar tênis de corrida
  2. Aumentar a frequência de passadas em 10%
  3. Correr sem encostar o calcanhar no solo

De acordo com os resultados, a única estratégia eficiente para reduzir o impacto foi correr sem aterrissar com o calcanhar, o que promoveu uma redução de mais de 50% no impacto (Giandolini et al., 2013).

Além da questão da segurança, também tem a questão da eficiência, pois ao aterrissarmos com o calcanhar, criamos um vetor de força que nos empurra para trás, diminuindo a velocidade. Portanto, correr sem o mata-borrão pode reduzir as lesões e ainda fazer você correr mais rápido. Diversos estudos indicam que os corredores mais rápidos ou aterrissavam com a ponta dos pés ou então com o peso distribuído na sola do pé. Mais recentemente, pesquisadores estadunidenses analisaram a passada de 1991 corredores durante uma maratona e verificaram que, apesar de a maioria dos corredores usarem a passada no estilo mata-borrão, os atletas com o melhor desempenho a evitavam.

Os novos tênis são bonitos, são símbolos de status, “tiram onda”… mas não ajudarão em muita coisa além disso. A discussão sobre a técnica de passada é bastante complexa e há um bom texto do GEASE sobre o tema (http://www.gease.pro.br/artigo_visualizar.php?id=218). Mas o que sabemos é que, tendo em vista o maior impacto e prejuízo na performance da aterrissagem com o calcanhar é recomendável substituir essa passada por outras mais segura e eficientes. No entanto, antes de mudar a técnica, converse com seu professor, pois será necessário passar por uma fase de adaptação, e alguns músculo, como os da panturrilha, sofrerão um pouco nessa transição.

Giandolini M, Arnal PJ, Millet GY, Peyrot N, Samozino P, Dubois B, Morin JB. Impact reduction during running: efficiency of simple acute interventions in recreational runners. Eur J Appl Physiol. 2013 Mar;113(3):599-609.
Kasmer ME, Liu XC, Roberts KG, Valadao JM. Foot-strike pattern and performance in a marathon. Int J Sports Physiol Perform. 2013 May;8(3):286-92.

Referência: http://goo.gl/nEyXfT

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