sábado, 24 junho, 2017
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Extensão de Joelhos – Custos e Benefícios

Extensão de Joelhos – Custos e Benefícios

Venho observando a utilização de variações de exercícios e trabalhos em angulações específicas com diversas finalidades. Um exemplo é o pessoal que utiliza os últimos graus de extensão de joelhos com o objetivo de enfatizar o vasto medial. Isso é feito com finalidades estéticas (“melhorar o shape da voltinha do quadríceps acima do joelho”) e terapêutica (ativação preferencial do vasto medial oblíquo). No entanto, ao contrário do que se acredita, essa “esmagada” nos últimos ângulos de extensão promovem maior recrutamento do vasto lateral do que do vasto medial oblíquo, o que frustra a proposta de melhora do “shape” e pode agravar ainda mais o problema de lateralização da patela.

Reforçando sobre a segurança, nos últimos 30° de extensão, a tuberosidade da tíbia sofre rotação externa, gerando tensão no tendão do quadríceps e fazendo a patela se deslocar lateralmente, o que aumenta a pressão de contato femoropatelar. Isso seria um problema para quem tem condromalácia e para mulheres em geral, que já possuem maior propensão a problemas de joelho! Portanto, cuidado com a “esmagada” na cadeira extensora! Muita gente vai alegar que sente, que sempre fez assim, que fulano faz. Como não fiz Psicologia, não teria como debater muito sobre sentimentos. Sobre “todo mundo fazer”… uma mentira repetida mil vezes, continua sendo uma mentira!

No final das contas, pra ser sincero, eu raramente uso e recomendo pouquíssimo a cadeira extensora pois ela 1) trabalha menos músculos 2) de uma maneira menos natural e 3) é menos segura que os movimentos de cadeia cinética fechada, como leg press, agachamento, afundo, levantamento terra… Tanto que Signorile já alertava para seus riscos e não recomendava sua utilização em um artigo de 1994 do Jornal of Strength and Conditioning Research! Eu não recomendaria sua proibição, mas diria para que, se for para fazer, que se faça com moderação e da forma correta. Seus joelhos e o espelho agradecerão!

Hungerford DS, Barry M. Biomechanics of the patellofemoral joint. Clin Orthop Relat Res 1979; (144):9–15.
Li G, DeFrate LE, Zayontz S, Park SE, Gill TJ. The effect of tibiofemoral joint kinematics on patellofemoral contact pressures under simulated muscle loads. J Orthop Res 2004;22:801–806.
Reilly DT, Martens M. Experimental analysis of the quadriceps muscle force and patello-femoral joint reaction force for various activities. Acta Ortop Scand 1972;43:126–137.
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Signorile JF, Weber B, Roll B, Caruso JF. An Electromyographical Comparison of the squat and Knee Extension Exercises. J Strength Cond Res. 1994 8(3):178-83.
Yang JH, Demarchi GTS, Garms E, Juliano Y, Mestriner LA, Cohen M, Navarro RD, Fernandes ARC. Avaliação quantitativa das forças laterais da patela: ressonância magnética estática e cinemática. Radiol Bras 2007, 40: 223-229

Referência: http://goo.gl/0vSegX

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