sábado, 24 junho, 2017
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Aeróbio Mata?

Aeróbio Mata?

Essa foto (abaixo) usada pelo @eltonlopes_ é sensacional! Pedi licença para usa-la e expressar a mesma ideia que ele, mas com outras informações (depois confiram o Instagram dele, pois os textos são complementares). É bem sabido que o sedentarismo faz mal à saúde, no entanto, em nossa busca pelo “quanto mais, melhor” vemos gente saindo do sedentarismo e buscando o outro extremo: o excesso de exercício. E, como o paradigma do exercício aeróbio está impregnada em nossas mentes, o excesso acaba se manifestando justamente nele. A moda agora é se “superar” em atividades de longa duração, e vemos pessoas que buscam interagir o tabagismo, alcoolismo, sobrepeso… com o desafio de correr maratonas e até mesmo ultra-maratonas!!

Aeróbio Mata?

No entanto, os estudos indicam que a sobrecarga cardiovascular gerada pelas atividades no estilo das maratonas pode ser tão ou mais danosa do que ser sedentário. Um exemplo disso é o estudo de Tomas Neilan, do Hospital Geral de Massachusetts, no qual foi verificado que maratonistas apresentam indícios de lesões no coração, e isso é relacionado com o volume de corrida nos treinos, ou seja, quanto mais correm, mais danos no miocárdio. Os riscos cardiovasculares dos maratonistas também foram alertados pelo alemão Stefan Möhlenkamp em um artigo de 2008. Posteriormente O’Keefe trouxe algumas informações interessantes em um estudo de 2012 e reforça a ideia do perigo do excesso de exercício em um editorial escrito para o Lancet. Agora, em um estudo desse mês do Journal of Science and Medicine in Sport, um grupo de pesquisadores canadenses revela que ultramaratonistas possuem menor complacência arterial (capacidade de armazenar sangue) do que pessoas ativas!!

No final das contas, fico com a frase de Schmermund, escrita em um Editorial do European Heart Journal no qual se fala que é “bem evidente que o esforço extremo de se correr uma maratona, por mais mentalmente recompensador que possa ser, oferece pouco benefício em termos de saúde e longevidade”. É isso pessoal, fazer atividades de longa duração pode te fazer feliz, trazer sentido à sua vida, mas existem duas coisas que ela não fará de maneira eficiente: 1) emagrecer e 2) te deixar mais saudável!

PS: os haters abusaram os analfabetismo funcional para sugerir que eu afirmei que aeróbio engordava, agora vamos ouvir que Paulo Gentil falou “aeróbio mata!” em 3, 2, 1…

Burr JF, Drury CT, Phillips AA, Ivey A, Ku J, Warburton DE. Long-term ultra-marathon running and arterial compliance. J Sci Med Sport. 2014 May;17(3):322-5. doi: 10.1016/j.jsams.2013.04.018. Epub 2013 May 22.
Möhlenkamp S, Lehmann N, Breuckmann F, Bröcker-Preuss M, Nassenstein K, Halle M, Budde T, Mann K, Barkhausen J, Heusch G, Jöckel KH, Erbel R; Marathon Study Investigators; Heinz Nixdorf Recall Study Investigators. Running: the risk of coronary events : Prevalence and prognostic relevance of coronary atherosclerosis in marathon runners. Eur Heart J. 2008 Aug;29(15):1903-10. doi: 10.1093/eurheartj/ehn163. Epub 2008 Apr 21.
Neilan TG, Januzzi JL, Lee-Lewandrowski E, Ton-Nu TT, Yoerger DM, Jassal DS, Lewandrowski KB, Siegel AJ, Marshall JE, Douglas PS, Lawlor D, Picard MH, Wood MJ. Myocardial injury and ventricular dysfunction related to training levels among nonelite participants in the Boston marathon. Circulation 2006;114:2325-2333.
O’Keefe JH, Patil HR, Lavie CJ, Magalski A, Vogel RA, McCullough PA. Potential adverse cardiovascular effects from excessive endurance exercise. Mayo Clin Proc. 2012 Jun;87(6):587-95. doi: 10.1016/j.mayocp.2012.04.005.
O’Keefe JH, Patil HR, Lavie CJ. Exercise and life expectancy. Lancet. 2012 Mar 3;379(9818):799; author reply 800-1. doi: 10.1016/S0140-6736(12)60339-0.
Schmermund A, Voigtländer T, Nowak B. The risk of marathon runners-live it up, run fast, die young? Eur Heart J. 2008 Aug;29(15):1800-2. doi: 10.1093/eurheartj/ehn273. Epub 2008 Jun 13.

Referência: http://goo.gl/Dkkmal

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